Lançamento do Livro sobre os 200 anos de "História da Igreja Matriz de Valpaços"

200 anos da Igreja Matriz de Valpaços

- retrospectiva histórica de Manuel Alves
Valpaços é uma progressiva cidade Transmontana, integrada na região do Alto Tâmega, fazendo transição da Terra Fria, com a Terra Quente.
Manuel Alves é o pároco há 39 anos e arcipreste concelhio, por eleição sucessiva dos seus pares.

Quando ali foi colocado já havia paroquiado outras freguesias religiosas do norte da diocese: Tourém, Salto e Santo Estevão. Mas como barrosão agradecido que caracteriza a maior parte de quantos aqui nascem e se preparam para a vida, nunca esqueceu as origens (Parafita, onde tem obra que o imortaliza). Mas em Valpaços, com o seu contributo religioso e cultural, adicionado ao do poder autárquico que sempre ali foi monocular, desde a revolução de Abril, contribuiu para que a vila fosse promovida a cidade, negando o princípio que tem servido de alibi a muitos velhos do Restelo: «mais vale uma boa vila do que uma má cidade». Não serve de argumento o exemplo de Valpaços aos que se abrigam debaixo dessa máxima. Valpaços é uma cidade com pergaminhos de diversa índole, onde à riqueza agro-pecuária se aliou uma dinâmica contagiante por parte dos seus responsáveis que vão desde o poder autárquico, ao empresariado, ao terciário, a muitos ângulos de visão que vale a pena exaltar.
A Igreja Matriz de Valpaços teria que reavivar dois séculos de existência, como centro religioso de um povo crente, solidário e bondoso. Daí que o responsável nesta área tenha colocado ao serviço comunitário, o seu saber, a sua vontade de ajudar o próximo, a sua perspicácia e voluntarismo. Deste esforço resultou um volume de formato A4, em capa dura, com 256 páginas com texto e gravura, que apontam os inícios do epicentro religioso, ligando o passado e o futuro, com uma coerência sociológica e humana que só um especialista como o Padre Manuel Alves seria capaz de conseguir.
Em 4 partes e 18 capítulos o Autor procura ser conciso, preciso e claro como importa a qualquer trabalho científico. Aflora ( e é por aqui que começa) com as invasões francesas que este ano se comemoram. Elas tiveram influência em todo o país. E Valpaços não foi excepção. Recua o investigador aos Livros das Visitações de 1661, 1663 e 1675, de onde extraiu cópias que falam por si. Embora aos leigos cause algum embaraço tanto documento de séculos anteriores, o texto que antecede uns e liga outros, mais as legendas, devidamente situadas, permitem ao leitor um documento que honra uma biblioteca. Com essa sensibilidade que será extensiva a qualquer lar Valpacense, residente ou ausente, a Câmara teve o bom gosto de patrocinar e distribuir, graciosamente, no acto da apresentação pública, em 14 de Maio, um exemplar a cada participante. Muita gente se comoverá com uma obra desta grandeza e com esta oportunidade.
O Engº Francisco Tavares, Presidente da Câmara, escreveu no Prefácio: «As suas obras perdurarão na memória de todos os que amam Valpaços. São variados os géneros literários que Manuel Alves desenvolve na sua escrita, que vão desde a abordagem filosófica até à história, passando, como homem da igreja que é, pelo aprofundamento teológico de muitas das suas reflexões. Sendo uma figura que tem marcado a nossa vida comunitária, tem sabido valorizar essa mesma comunidade, para além do âmbito da Igreja».
Recorde-se que o Pe. Dr. Manuel Alves já publicara, antes deste (que é o décimo) nove outros títulos e, o segundo deles, já reeditado, em 2007. Saíra em primeira edição em 1986, com uma abonatória apresentação do saudoso Prelado da Diocese, D. António Cardoso Cunha. Aí esclarece aquele Bispo que o Padre Manuel Alves decidiu publicar à Procura do Adolescente e do Deus do Adolescente, fruto de muito estudo e de muita experiência, após boa preparação científica, pois frequentou, com óptimo aproveitamento, o curso superior de Teologia Pastoral da Lumen Vitae, em Bruxelas».
No dia 17 do corrente durante a confraternização dos antigos alunos do Seminário de Vila Real, com a presença do Bispo Titular e o seu Coadjutor, respectivamente D. Joaquim Gonçalves (que nesse dia fazia anos) e D. Amândio Tomaz, o Padre Manuel Alves que fora colega de curso do saudoso António Cabral, foi convidado para fazer o elogio do ex-sacerdote que foi dos mais destacados poetas e ensaístas do seu tempo. Uma invocação muito lúcida, muito objectiva e muito oportuna.
Homem de cultura, cidadão de uma coerência irrepreensível e Barrosão de gema, desdobra-se em preocupações de toda a ordem. O seu nome fica, indelevelmente ligado às várias paróquias acima referenciadas, por onde passou, com especial relevo para Valpaços, onde é pastor desde há 39 anos. Mais de uma centena de cidadãos, acorreu ao fim da tarde do último dia 14, para ouvir falar dos 200 anos da Igreja Matriz que é um símbolo indissociável de muitas gerações que rejubilaram com esse repositório documental, apresentado, admiravelmente, pelo pintor José Maia.

Pelo Dr. Barroso da Fonte
in Notícias do Douro