Valpaços vai promover azeite de Trás-os-Montes durante quatro dias

Valpaços
Mostra quer dar a conhecer a qualidade do produto
I Mostra do Azeite de Trás-os-Montes
Valpaços vai acolher a primeira mostra de azeite de Trás-os-Montes com Denominação de Origem Protegida (DOP). A iniciativa, que a Câmara apoia na divulgação, resulta de uma parceria entre a Cooperativa de Oliviticultores de Valpaços, a Associação de Oliviticultores de Trás-os-Montes e a Rota do Azeite de Trás-os-Montes. O objectivo é mostrar e valorizar o azeite de qualidade da região, que, por falta de promoção, continua a ser “esmagado” pelo do Alentejo.

A I Mostra do Azeite de Trás-os-Montes com Denominação de Origem Protegida, que se irá realizar no próximo fim-de-semana (de 17 a dia 20), vai ter lugar em Valpaços. Além da localização “central”, a escolha da cidade não passou ao lado do facto de a produção de azeite no concelho assumir já uma importância considerável. De acordo com o presidente da Cooperativa de Oliviticultores de Valpaços, umas das entidades responsáveis pelo evento, a produção anual de azeitona ronda já os 8 milhões de quilos, o que equivale a uma produção de azeite de cerca de 1,5 milhões de litros.

Além da Cooperativa, a organização da Mostra é da responsabilidade da Associação de Oliviticultores de Trás-os-Montes (AOTMAD) e da Rota do Azeite de Trás-os-Montes e o objectivo da iniciativa é “mostrar que a região tem azeites de qualidade”. “Há muita gente que ainda não sabe o que é uma Denominação de Origem Protegida”, lembrou, na passada terça-feira, o presidente da Cooperativa de Oliviticultores de Valpaços, durante a conferência de imprensa onde foi apresentado o programa do certame.

Além disso, a Mostra servirá também para discutir o “futuro” da actividade, quer ao nível da produção, quer da sua transformação e da sua venda no mercado, aquela que ainda é considerada uma “falha”. Isto para que, defendeu o presidente da AOTMAD, a produção transmontana, que já foi das maiores a nível do país, não ser “esmagada” pelo Alentejo, nos próximos 5 anos.

Futebol ajuda a promover azeite

Mas, para actividade não “morrer”, as associações do sector terão de apostar ainda noutro vector: a ligação do azeite ao turismo, um trabalho que, de resto, a Rota do Azeite, sedeada em Mirandela, e que agrega 15 municípios da região, tem vindo a desenvolver. Circuitos turísticos por zonas de olival ou organização de programas para turistas que incluem a apanha de azeitona são algumas das acções levadas acabo. No entanto, com o início do Campeonato Europeu de Futebol, a Rota do Azeite vai internacionalizar a promoção. “Sempre Portugal jogar, vamos ter um stand onde, no final do jogo, as pessoas poderão provar o nosso azeite”, explicou o vice-presidente da rota, João Paulo Carlão, que deixou um apelo para que todos ajudem na promoção do azeite da região. “Sempre que forem a um restaurante peçam azeite de Trás-os-Montes. Se o fizerem já estão a fazer muito pela sua promoção”, apelou.

A divulgação da Mostra será patrocinada pela Câmara Municipal de Valpaços, que promete “abraçar” o evento como mesmo entusiasmo com que agarrou a Feira do Folar.

88 expositores

De acordo com a organização, a Mostra vai contar com 88 expositores. Destes, 37 são produtores de azeite. Os restantes são empresas do sector, muitas das quais terão exposto equipamento relacionado com a transformação do produto. No exterior do Pavilhão Multiusos, haverá ainda uma exposição de maquinaria relacionada com este tipo de produção.

Além disso, está prevista a realização de vários debates sobre a produção de azeite e os desafios futuros para evitar que a actividade definhe, bem como um Concurso Europeu de Azeites DOP, que irá apenas contar com a presença de concorrentes portugueses e espanhóis.

Provas de azeites, acções de sensibilização junto da comunidade escolar, no sentido de incutir nos mais jovens a importância do consumo do azeite de qualidade. A animação está a cargo de vários ranchos folclóricos que actuarão no local.

Geada compromete produção de azeite deste e dos próximo anos

A produção de azeitona deste ano foi seriamente afectada pelas fortes geadas que se fizeram sentir no Inverno. De acordo com o presidente da Asso-ciação de Oliviticultores de Trás-os-Montes e Alto Douro, algumas árvores ficaram irremediavelmente afectadas enquanto outras estão a ser tratadas, no sentido de se tentar reverter a situação. De qualquer forma, o dirigente acredita que, além das perdas na produção da próxima colheita, os efeitos da geada terão repercussões em anos seguintes. “Só se vai conseguir recuperar as perdas no espaço de cinco anos”, referiu, lembrando que esta é a “nova grande preocupação da Associação”.

Más notícias à parte, o presidente da AOTMAD anunciou a obtenção de uma Indicação Geográfica Protegida para a zona do Douro. Por estar fora da área de produção da abrangida pela Denominação de Origem Protegida, a produção de azeitona do Douro, que já é “significativa”, não podia produzir azeite certificado.

Fonte: Semanário Transmontano
Por: Margarida Luzio
11-4-2008